Adoção de Pets no Brasil: Por que idade e cor pesam?
Pesquisa inédita mostra que filhotes e cães pequenos são adotados com facilidade, enquanto animais idosos, de pelagem escura ou com problemas de saúde enfrentam a “invisibilidade” nos abrigos, e por que tantas adoções não passam dos três primeiros meses.
A adoção de pets no Brasil ainda é fortemente guiada por critérios estéticos e práticos, um viés que empurra animais idosos, de pelagem escura e com condições de saúde para a invisibilidade nos abrigos, além de escancarar uma crise silenciosa no período pós-adoção. É o que revela a pesquisa “Panorama da Adoção no Brasil – ONGs”, encomendada pela GoldeN (marca líder em alimentos para cães e gatos no Brasil, da fabricante PremieRpet®) e pelo Instituto de Medicina Veterinária do Coletivo (IMVC), com realização do Opinion Box, que levantou dados inéditos sobre a rotina dos abrigos brasileiros.
O que define, então, a sorte de um cão ou gato à espera de um lar?
Adoção de pets no Brasil: como funciona o ecossistema de proteção animal
O levantamento mapeou um cenário dominado por abrigos privados e ONGs (46%) e por protetores independentes (37%), a espinha dorsal da adoção de pets no Brasil. A maior parte dessas iniciativas opera de forma enxuta:
- 54% cuidam simultaneamente de até 100 cães e gatos;
- 66% conseguem promover, em média, até 5 adoções por mês.
Dentro dessa realidade já limitada, a preferência dos adotantes reduz ainda mais as chances de quem mais precisa de um lar.
Filhotes e cães pequenos: os “queridinhos” da adoção de pets no Brasil
Segundo a pesquisa, os animais adotados com mais facilidade são:
- Filhotes, preferência apontada por 81% das instituições;
- Cães de pequeno porte, preferência apontada por 92% das instituições.
Do outro lado da fila de espera estão os animais idosos (59%) e adultos (34%). Não por acaso, a idade é apontada como o principal limitador para a adoção, citada por 86% das ONGs consultadas.
O peso da cor e da saúde na hora da escolha
A dificuldade de adoção não se limita à idade. A cor da pelagem e o histórico de saúde também pesam, e muito, na decisão do adotante:
- 69% das ONGs relatam que animais de pelagem preta ou escura enfrentam grandes barreiras para serem escolhidos;
- 75% apontam dificuldade na adoção de pets com deficiências ou limitações físicas e crônicas;
- Entre os gatos, o estigma recai fortemente sobre doenças como FIV/FELV, mencionado por 75% das instituições.
“O que os dados mostram não é um ato de maldade, mas um comportamento guiado pelo medo do desconhecido e pela procura de um ideal. O adotante busca por um filhote a partir de um filtro estético e projeta nele a ideia de uma ‘tela em branco’, sem traumas e de fácil adaptação, enquanto enxerga no animal idoso, preto ou com alguma condição de saúde um futuro de maior complexidade e custos veterinários”, analisa Lucas Galdioli, vice-presidente do Instituto de Medicina Veterinária do Coletivo (IMVC).
Segundo Galdioli, esse viés, muitas vezes inconsciente, cria uma invisibilidade que prejudica justamente os animais mais vulneráveis, reforçando a necessidade de mais educação sobre guarda responsável e de suporte pós-adoção.
A crise dos três primeiros meses: quando a adoção não é o fim da jornada
Um dos dados mais importantes da pesquisa é o alerta sobre o período pós-adoção. Muita gente trata a adoção como a “linha de chegada”, mas o verdadeiro desafio começa justamente na fase de adaptação, e é nos primeiros três meses que acontece a maior parte das devoluções.
De acordo com o estudo:
- 71% das ONGs avaliam que os adotantes têm apenas um “conhecimento básico, com lacunas relevantes” sobre guarda responsável;
- Os tutores subestimam principalmente a adaptação do animal (73%) e os cuidados veterinários (57%).
Esse cenário reforça a importância da conscientização antes da adoção: alinhar expectativas com antecedência é decisivo para reduzir devoluções e tornar a adoção de pets no Brasil mais sustentável. As próprias ONGs apontam que subsídios para consultas veterinárias, apoio comportamental e educação prática são fundamentais para evitar que o animal volte para o abrigo.
Esses achados dialogam com outro levantamento, o estudo “Percepções e Hábitos sobre Adoção”, também assinado por GoldeN/Opinion Box e divulgado em abril, que ouviu tutores diretamente. Segundo essa pesquisa, os maiores desafios enfrentados após a adoção foram os gastos com saúde (27%) e a adaptação de comportamento do pet (32%).
Para Felipe Mascarenhas, Head de Marketing da GoldeN, o papel das marcas nesse processo é essencial:
“A escolha de um pet não deve ser baseada em um ‘checklist’ de perfeição. Nosso compromisso, ao incentivarmos a adoção, é também desmistificar os medos que deixam tantos animais ‘invisíveis’ nos abrigos. Para combater o ciclo da devolução é preciso informar o futuro tutor sobre a necessidade de paciência na adaptação e sobre a importância do planejamento financeiro.”
Gatificação: por que os gatos lideram a adoção de pets no Brasil
Outro destaque da pesquisa é a mudança de preferência entre cães e gatos. Hoje, os felinos já são os animais mais adotados nas ONGs (41%), superando os cães (32%), um reflexo direto do fenômeno conhecido como “gatificação”.
Esse movimento também aparece em outros levantamentos do setor:
dados do relatório anual da Medicina de Abrigos Brasil (MVAbrigos Brasil) indicam predominância de saídas e adoções de gatos em relação aos cães nos últimos anos, sugerindo maior fluidez nas adoções felinas.
O Instituto Pet Brasil (IPB) reforça essa tendência: a população de gatos nos lares brasileiros já ultrapassa 30,8 milhões, com crescimento 96% superior ao de cães entre 2022 e 2023.
Por trás desse fenômeno está a busca por um pet que se adapte à vida moderna, espaços menores, rotinas mais corridas e mais independência. É o mesmo motivo que explica a preferência por cães de pequeno porte: em ambos os casos, a praticidade se tornou fator decisivo na hora de escolher um novo companheiro.
Perguntas frequentes sobre adoção de pets no Brasil
Por que animais idosos têm mais dificuldade de serem adotados? Porque a idade é apontada como o principal limitador da adoção por 86% das ONGs brasileiras, já que os adotantes costumam preferir filhotes, associados a um “recomeço” sem traumas.
Qual é o período mais crítico para a devolução de um animal adotado? Os primeiros três meses após a adoção, quando o tutor enfrenta o real desafio da adaptação comportamental e dos cuidados veterinários, muitas vezes subestimados antes da adoção.
Por que os gatos estão sendo mais adotados que os cães no Brasil? Pelo fenômeno da “gatificação”: os gatos se adaptam melhor a espaços pequenos e rotinas independentes, características cada vez mais valorizadas pelos brasileiros, o mesmo motivo que aumenta a procura por cães de pequeno porte.
Conclusão: como ajudar os animais “invisíveis” da adoção de pets no Brasil
Os dados do “Panorama da Adoção no Brasil – ONGs” deixam um alerta importante: a adoção de pets no Brasil consciente vai muito além de escolher o pet mais bonito ou mais jovem. Dar uma chance a animais idosos, de pelagem escura ou com condições de saúde pode significar a diferença entre uma vida esperando no abrigo e um lar definitivo.
Fonte: PremieRpet®